“Cidades esponjas, jardins de chuva, piscinões e ruas com paralelepípedos são algumas soluções para enfrentar as mudanças climáticas”, garante a engenheira ambiental Ana Vieira

Especialista em Sustentabilidade e ESG, a engenheira ambiental Ana Vieira, chama a atenção para a governança.

Mar 3, 2026 - 15:59
Mar 3, 2026 - 16:07
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“Cidades esponjas, jardins de chuva, piscinões e ruas com paralelepípedos são algumas soluções para enfrentar as mudanças climáticas”, garante a engenheira ambiental Ana Vieira
s cidades abandonaram técnicas milenares por questões de velocidade e mobilidade

Com mais de 18 anos de experiência em gestão ambiental corporativa, agenda climática e governança ESG, a engenheira ambiental Ana Vieira fala sobre os desafios das Mudanças climáticas, envolvendo Gestão de riscos ambientais e climáticos e a importância da governança junto a integração da agenda climática e estratégia organizacional.

Ana Vieira também destacou alguns modelos para impactar as inundações, afirmando que, “essas iniciativas precisam ser integradas ao plano diretor municipal para garantir sua perenidade. Há necessidade de melhorar a governança em relação à ocupação irregular de solos e a importância do voluntariado e da participação cidadã na solução dos problemas ambientais”, relatou.

Estratégias de Cidades Esponjas

Segundo a engenheira ambiental, as cidades esponjas são projetadas para absorver e liberar gradualmente a água, em vez de conter o volume excessivo de água das enchentes, citando exemplos práticos em Curitiba, Rio de Janeiro e China.

 

Sustentabilidade Urbana e Engenharia

Outro alerta importante, de acordo com Ana, é que “as cidades abandonaram técnicas milenares como paralelepípedos em favor de asfalto, por questões de velocidade e mobilidade”. Mas, justificou “o asfalto convencional possui características impermeáveis nas suas camadas, já os paralelepípedos permitem a água passar, o que torna algo a pensar num futuro rápido”.

E exaltou a importância da governança na implementação de um plano preventivo para enchentes e inundações, tais como, “cidade esponja, jardins de chuva e piscinões só funcionam quando se tornam políticas públicas e são incorporadas no plano diretor e no plano estratégico do município, caso contrário não funciona”.

 

DESAFIOS HABITACIONAIS

Ao ser indagada sobre as moradias nos municípios brasileiros, a engenheira ambiental enfatizou a necessidade de uma abordagem mais estratégica e humana para lidar com os problemas de ocupação nas áreas vulneráveis, destacando que ações corretivas e pontuais não são suficientes, mas, que “políticas públicas sistematizadas são essenciais”, concluiu.

 

Veja abaixo um pouquinho dessa entrevista.

 

Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Ana, temos ouvido falar em sustentabilidade. Antes de ser um nome bonito, o que isso representa para o Brasil?

Ana Vieira: Bom, quando a gente fala da palavra sustentabilidade, vem muito na cabeça. Meio ambiente. Mas, é muito mais do que isso. A palavra sustentabilidade tem um viés por trás de sustentar algo, de ser perene. Sustentabilidade é garantir o futuro. Mas, agora não é mais o futuro. É o presente também. Então, quando a gente fala de sustentar algo, a gente está falando não só da questão ambiental, mas, também da sociedade, da questão social, da questão econômica. Então essa palavra tem uma abrangência muito grande, que vai muito mais além do tema ambiental.

Quando surgiu começou com temas ambientais. Com o amadurecimento, agregou a parte social, até porque o ecossistema, as pessoas precisam interagir. E como as pessoas estão dentro desse meio ambiente, o social tem que estar conectado. E depois, vem a governança, que é a base de como é que a gente vai gerir e estruturar todo esse conjunto de pessoas, de meio ambiente, toda essa estrutura é o que traz a proposta da sustentabilidade. Então, quando a gente fala assim, eu sou uma pessoa sustentável. Eu tenho um produto sustentável. A minha empresa é sustentável. E, há quantos anos ela é sustentável? Para mim, a sustentabilidade, eu traduzo muito para a perenidade.

Então, ah, eu vou implantar a sustentabilidade. Opa. Você vai implantar uma estrutura que vai se tornar perene ao longo dos anos.

 

Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Legal você falando. Tudo isso me trouxe lembranças do passado. Há alguns anos, eu trabalhava numa cooperativa com fornecedores de cana de açúcar. Quando começaram a falar em sustentabilidade e reservas muitos não gostaram da ideia, pois era necessário separar 20% da área produtiva para plantar árvores. Naquela época, era considerado um absurdo. E hoje a gente vê que essas pessoas que fizeram esse trabalho, eles estão preservando não só o seu espaço, mas contribuindo também, posso dizer que, para a manutenção do ser humano?

Ana Vieira: Não tenha dúvidas disso. Quando a gente fala de mudanças climáticas, é um tema extremamente importante. Eu, como cidadã, enquanto empresária, o quanto nós estamos contribuindo para mitigar essa questão do aquecimento. Então esse empresário, esse agricultor que reservou esse pedaço, essa parte da sua produção, ele diretamente está contribuindo para mitigar, inclusive, o aquecimento global.

 

Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Os agricultores nos deixam um legado, correto?

Ana Vieira: Verdade. Porque parece que é algo intangível, até começar. Quando falou se muito em mudanças climáticas, parece que era algo muito distante da gente. E não é! A chuva que está acontecendo, qual o impacto disso? Muito alto. Temos o impacto econômico e social. Então, você plantar uma árvore, duas, três, enfim, dentro da sua reserva ou dentro do seu espaço, você estará sim, contribuindo para mitigar e reduzir esse aquecimento. Para essa redução, ou essa mitigação de aquecimento é muito válida e, de fato, é uma contribuição direta.

 

Veja a entrevista completa aqui.

 

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