Folclore brasileiro marca a trajetória da estância turística em Joanópolis, interior de São Paulo.
Cidade com aproximadamente 13 mil habitantes, está localizada na região entre serras e águas, na divisa com Minas Gerais e é reconhecida como a Capital do Lobisomem.
Joanópolis é estância turística desde 2001, e tem como principais atrativos a Cachoeira dos Pretos (maior cachoeira visitável do Estado de São Paulo), o Complexo do Gigante Adormecido, a Represa Jacari e Jaguari (cabeceira do Sistema Cantareira), o patrimônio arquitetônico de origem cafeeira e o turismo religioso.
Nessa entrevista, o turismólogo e museólogo, Leonardo Giovanni Moreira Gonçalves, Secretário de Desenvolvimento Turístico, Econômico, Esporte, Cultura e Lazer do município de Joanópolis (SP) conta um pouquinho dos desafios em secretariar cinco pastas e manter a relação entre o poder público e o COMTUR sempre atuante. “A relação entre o poder público e o Comtur é descrita como simbiótica, com papéis distintos e complementares, sendo fundamental para o desenvolvimento turístico local. E o Plano Diretor de Turismo de Joanópolis é baseado em turismo de base comunitária, tendo como principal evento a festa de São João Batista que reúne cerca de 100 mil pessoas, com quatro palcos e estrutura robusta de produção”, comemora.
Na pequena cidade, o turista é bem recepcionado e conta com a estrutura do Airbnb, com mais de 500 unidades habitacionais, para atender aos turísticas que buscam o sossego do interior, junto com as belezas naturais.
Mas, outro atrativo turístico, que chama a atenção dos visitantes é o Lobisomem, que agora conquistou mais um momento especial, “O Festival da Lua Cheia, criado em 2024, que celebra mitos, lendas e a cultura popular brasileira, com contação de histórias, cinema, oficinas e gastronomia e que já entrou em nosso calendário de eventos”.
Leonardo, que é turismólogo formado pela Unesp e mestre em Museologia pela USP, em 2018 publicou um artigo acadêmico sobre o mito do lobisomem como produto turístico, com o título “O mítico como produto turístico: o caso do lobisomem da Estância Turística de Joanópolis/SP”.
Veja a seguir um pouquinho dessa entrevista e como Leonardo Giovane conseguiu o Engajamento necessário da População com o Turismo local.
Adriana Fagundes: Como vocês conseguiram conquistar a população local para apoiar o turismo, já que cidades pequenas tendem a ser mais resistentes à presença de turistas?
Leonardo G.: O processo foi gradual, iniciando-se nas escolas, onde professores mostravam às crianças as belezas locais. Com o tempo, o turismo tornou-se política de governo. A Festa de São João Batista, que reúne 100 mil pessoas, foi central nesse processo. Com a pandemia, houve um boom de hospedagens, com moradores da zona rural apostando no turismo e criando chalés e quartos para alugar. O bairro Sertãozinho, por exemplo, tornou-se um polo de hospedagens com jacuzzi. Atualmente, a gestão investe em projetos educacionais para ampliar o envolvimento comunitário com o turismo.
Título de Estância Turística
Adriana Fagundes: Há quantos anos Joanópolis é estância turística e o que isso mudou para a cidade?
Leonardo G.: Joanópolis é estância turística desde 2001. O título trouxe maior visibilidade de mídia, atração de empresários e consolidação no mercado turístico do Estado de São Paulo. Além disso, possibilitou o recebimento de recursos do Departamento de Instâncias Turísticas para obras de infraestrutura, como o asfaltamento dos 18 km de acesso à Cachoeira dos Pretos, reforma de praças e construção de museu. As estâncias turísticas recebem R$ 2,5 milhões anuais, enquanto os Municípios de Interesse Turístico (MITs) recebem R$ 600 mil.
Veja no vídeo abaixo a entrevista completa e descubra como o secretário conseguiu envolver toda cidade, os empresários e ainda lida com os desafios das licitações em relação a lei 14.133 de 2021.
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