SENTAR E CHORAR OU BUSCAR SOLUÇÕES? CIDADES ESPONJAS JÁ!
A cada ano que passa as mudanças climáticas tem aumentado o índice de calamidade pública. Especialistas em clima afirmam que o aumento de chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e desmoronamentos são consequências do aquecimento global. "Não há mais tempo a perder", esclarece o engenheiro civil, Fábio Ribeiro.
Enchentes, deslizamentos e desmoronamento, tem sido notícias frequentes, mas que o Brasil desconhecia como realidade. Infelizmente, nos últimos anos tem se tornado notícia diária em todos os veículos de comunicação.
Na maioria das vezes, o ser humano fica buscando responsáveis, mas, de acordo com o engenheiro civil, Fábio Ribeiro, que atua na construção civil há mais de 25 anos, “todos nós somos responsáveis e se cada um cuidar do seu quadrado, podemos ajudar o planeta”.
Fábio também mencionou problemas urbanos como redes de captação deficiente, córregos enterrados e construções irregulares em áreas de risco, propondo soluções como cisternas domésticas, telhados verdes e remoção de construções perigosas. A conversa abordou a necessidade de responsabilidade compartilhada dos cidadãos, melhorias na legislação atual e a importância de implementar soluções efetivas para gestão da água e prevenção de desastres naturais.
Fábio explica, “estamos impermeabilizando tudo, principalmente quando colocamos asfalto em todos os espaços e cimentamos quintais e calçadas, não deixando espaço para a água infiltrar na terra. Devemos deixar espaços para o verde. E isso pode começar na nossa casa. Por exemplo: na minha casa, a calçada é de pedra, intercalada com gramas, e quando chove, a água tem como infiltrar e evita alagamentos”.
Referente a engenharia civil Fábio mostra a necessidade de mudanças urgentes, destacando problemas como redes de captação deficientes em prédios antigos e córregos enterrados na cidade de São Paulo. Ele sugeriu soluções como substituir calçadas cimentadas por pavimentos drenantes, criar jardins de chuva, implementar cisternas domésticas e construir poços para captar água da chuva, permitindo que cada casa contribua para a solução do problema. "Se cada morador criar um espaço de 2 metros para captar a água da chuva, já estamos ajudando a cidade", justificou.
Melhorias Urbanas e Responsabilidade Compartilhada
“E para melhorar a situação das cidades é necessário a responsabilidade compartilhada, entre gestor públio e cada cidadão, em seu próprio território. "Não podemos só jogar a culpa e depender apenas do poder público”, explicou Fabio que enfatizou, “a legislação atual não é adequada e todos devem contribuir para melhorar a cidade”
Ao ser questionado sobre o envelhecimento do Brasil e a necessidade de solucionar questões urbanas como a substituição de estruturas antigas e a proteção das praias contra a erosão marinha, o engenheiro argumentou que, “precisamos colocar soluções para gestão da água da chuva nas cidades. Nas praias já não consigo sugerir, mas na cidade, uma das sugestões é auemtnar o número de telhados verdes para prédios novos e poços subterrâneos de dois metros de diâmetro para prédios novos, antigos e casas. Essas medidas podem ajudar a reduzir o impacto das chuvas e transformar os municípios em "cidades esponjas", citando exemplos na China e sugerindo que as calçadas mais verdes para evitar danos às árvores”.
Construções Irregulares em Áreas de Risco
Ao questionar sobre as construções irregulares em áreas de risco, destacando que elas contribuem para tragédias como as que estão ocorrendo no sul de Minas, Fabio enfatizou que, “a prefeitura deveria ter impedido essas construções, através de fiscalização, especialmente casas próximas de barrancos, com casas construídas sem estrutura adequada em encostas e próximas a rios ou riachos. Isso não seria difícil de implementar , desde que houvesse uma fiscalização e aplicação rigorosa das regras e da lei”.
Nesse momento o engenheiro também abordou a situação de favelas em São Paulo, mencionando comunidades com três ou quatro pavimentos próximas a avenidas, totalmente irregulares, que coloca a vida de todos em perigo, principalmente da vizinhança e das pessoas que passam pelas ruas e calçadas, ao circular numa área de risco, “é uma tragédia anunciada”, justificou.
Soluções para Áreas de Risco
Referente as áreas de risco em cidades brasileiras, com foco específico em Juiz de Fora e Ubá, interior de Minas Gerais, Fabio sugeriu usar o dinheiro apropriado para resolver esses problemas, propondo “gastar cem por cento do fundo designado para este fim específico e não desviar nenhum centavo para outros propósitos”. Enfatizou, inclusive, a importância de remover as pessoas das áreas de risco e não permitir que elas retornem para essas zonas perigosas. "Nesse momento é necessario começar pela interdição das obras em áreas perigosas e fiscalizar sempre para que não haja invasão das áreas", explica Fábio Ribeiro..
E continuou, “as prefeituras têm uma dívida social ao permitir construções irregulares, em vez de resolver o problema das pessoas de outras formas” e continuou “a primeira medida necessária é remover as pessoas das áreas de risco para eliminar essa tragédia já anunciada e depois, resolver o problema de moradia e transformar as cidades, quem sabe em cidades esponjas, que utiliza a infraestrutura verde para absorver, armazenar, filtrar e reutilizar a água da chuva”.
Gestão Ambiental e Infraestrutura Sustentável
Diante dos desafios ambientais, enfrentados pelo mundo, e para gestão da água e prevenção de desastres naturais, Fabio Ribeiro sugere aos gestores públicos incentivar os moradores locais, “criar uma lei para incentivar o morador a implementar soluções como cisternas ou piscinões para gerenciar a água durante a chuva, e incentivar essas ações através de descontos no IPTU. Claro que também existe a responsabilidade adminsitrativa na manutenção preventiva das estruturas locais, como por exemplo, cuidar da limpeza dos piscinões, com manutenções para evitar acumulo de lixos e dengue. Já nas pontes e outras estruturas das cidades é recomendado inspeções frequentes e anuais, visto que estruturas de concreto apresentam desgastes com o tempo”, explicou.
RESPONSABILIDADE DE TODOS
Portanto, agora não é hora de buscar culpados. Mas, enquanto o ser humano não despertar que a responsabilidade é de todos, continuará assistindo ou enfrentando desastres como estes ocorridos pelo pais.
Atualmente, já foram decretados estado de calamidade pública nos municípios de Juiz de Fora e Ubá, interior de Minas Gerais, enquanto as cidades de Barão de Monte Alto, Caparaó, Divinésia, Dores do Turvo, Durandé, Leopoldina, Matipó, Muriaé, Patrocínio do Muriaé, Paula Cândido, Pequeri e Viçosa, também mineiras, enfrentam situação de emergência.
E o pior, com mortes e desabrigados anunciados a cada instante.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Nesse momento a Rota do Turismo disponibiliza a cartilha desenvolvida por alunos da Liga Acadêmica de Hidráulica e Saneamento (LAHS) com apoio do Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental e Sanitária (CAEAS) que ensina a construir sua própria cisterna para captação de chuva, veja aqui: Oficina - Mini cisterna residencial para captação de água da chuva
ESTADO DO CLIMA, DE ACORDO COM CEMADEM
De acordo com o relatório “ESTADO DO CLIMA, EXTREMOS DE CLIMA E DESASTRES NO BRASIL EM 2025”, desenvolvido pelo CEMADEM – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, O Brasil registrou 7.539 desastres climáticos entre 2020 e 2023, um aumento de 222,8% em relação às 2.335 ocorrências verificadas na década de 1990.
No mesmo período, a proporção de municípios afetados saltou de 27% para 83%.
As chuvas foram responsáveis por 86% das mortes registradas em desastres climáticos no país.
Entre 2020 e 2023, cerca de 8,7 milhões de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas devido a enchentes — número que corresponde a 94% de todos os casos no período.
Entre 2020 e 2023 as chuvas foram responsáveis por cerca de 86% das mortes em desastres climáticos no Brasil — isso inclui enchentes, inundações e deslizamentos — com milhões de pessoas afetadas, porém os números finais por ano são consolidados em relatórios específicos de desastres regionais.
Em 2023, as enchentes no sul do Brasil (Rio Grande do Sul e região do Vale do Taquari) tiveram mais de 50 mortes registradas, apenas nesses eventos extremos.
No estado do Rio de Janeiro e região serrana, houve enchentes e deslizamentos em fevereiro de 2023, com dezenas de óbitos naquela temporada de chuvas intensas, embora o número total no país dependa da soma de múltiplos eventos regionais.
Em 2024 mais uma vez os eventos climáticos extremos no Brasil, novamente atingiu o estado do Rio Grande do Sul, com uma série de enchentes entre abril e maio de 2024, o que causou mais de 180 mortes.
Esses eventos têm sido atribuídos por especialistas à combinação de padrões atmosféricos e mudanças climáticas, que aumentam a frequência de chuvas
Em 2025, em Minas Gerais, na região do Vale do Aço, no início de janeiro de 2025, houve enchentes e deslizamentos que causaram aproximadamente 12 óbitos na região metropolitana, incluindo Ipatinga e municípios vizinhos.
E agora, em 2026, os municípios mineiros de Juiz de Fora e Ubá enfrentam fortes chuvas e enchentes na Zona da Mata Mineira.
Até o momento 64 mortos em decorrência dos temporais registrados desde o dia 23 de fevereiro, contabilizam 58 óbitos em Juiz de Fora e 6 em Ubá, de acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais reportado nesta sexta-feira (27/02/2026), considerado como um dos piores desastres climáticos recentes no Brasil, com mortes atribuídas a enchentes e deslizamentos:
Além das mortes, ainda há pessoas desaparecidas, tais como, 3 em Juiz de Fora e 2 em Ubá, conforme dados mais recentes.
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