“Nunca deixei de estudar e sonhar com um futuro melhor”
Vovó Mari poderia ser apenas mais uma mulher que saiu da roça e foi para a cidade em busca de oportunidades. Mas, acreditando nos seus sonhos, superou os desafios e mostra a força e a garra da mulher brasileira.
Maricélia de Souza, carinhosamente batizada pelo neto Théo como vovó Mari é uma baiana, com dez irmãos, que ao se divorciar, resolveu mudar com seus filhos para Uberaba/MG e tentar a sorte para um futuro melhor.
Sempre estudiosa, resolveu em 2003, iniciar uma nova jornada em solo mineiro.
Mas, na lembrança, traz as dificuldades enfrentadas junto com os irmãos, para ajudar os pais. “Todos nós trabalhávamos na roça. Lembro que meu pai colocava dois suportes num cavalo ou jegue e todos nós íamos dentro. Eu também ajudava minha mãe nos afazeres da casa”, relembra.
Seu sonho era ser biomédica. Estudiosa, conseguiu se formar no Magistério e também fazer Técnico em Enfermagem.
Casou cedo e dessa relação, nasceram três filhos.
“Achava um sonho difícil de realizar pois sou de uma família humilde e precisava trabalhar para alimentar meus filhos. Mas nunca perdi a esperança”, relembra.
Um dia, descobriu a oportunidade de fazer um curso EaD - Educação a Distância, com a possibilidade de bolsa de estudo. Não perdeu tempo e fez sua inscrição, através do programa Bolsa 100%, que dá desconto integral em cursos de graduação.
Ao se formar, resolveu criar uma marmitaria, e com o convite de um amigo para visitar o filho na Franca, teve a oportunidade de conhecer novos métodos, temperos e voltou fascinada.
“Hoje coloco alguns temperos na marmita, recheado com muito amor, que tem feito muito sucesso”, comemora Maricélia
INSPIRADA PELO NETO
Seus olhos brilham quando fala do neto Théo, uma criança autista, que tem restrições alimentares, mas que já declarou amar a comida da avó. “Foi ele o responsável pelo nome da minha marmitaria, quando disse que sou sua máster chef e que meu papa era nota 1024” diz sorrindo.
AUTISTAS
A restrição alimentar aos autistas são conhecidas como seletividade alimentar, devido a hipersensibilidade sensorial a texturas, cheiros e sabores, resultando em dietas limitadas que podem causar deficiências nutricionais, mas, já existem estratégias e terapias para ajudar a expandir o repertório alimentar.
Atualmente, essa restrição alimentar afeta em torno de 40% a 80% das crianças autistas, ligada as dificuldades em processar estímulos sensoriais, levando à recusa de alimentos variados.
Com o desafio enfrentado pelo neto, Maricélia começou a estudar um cardápio especial colocando essa seletividade na sua cozinha para proporcionar uma alimentação mais saudável não só ao Théo, mas a todos autistas.
“E esse público está chegando na minha marmitaria”, comemora Maricélia, que acrescenta, “muitas mães atípicas me falam que seus filhos, “também autistas”, passaram a se alimentar melhor e fico imensamente feliz em poder ajudar”, explica.
E na sua história, outro momento memorável, foi quando conheceu o chef e dono do Lá Petit Mignon, que passou algumas dicas através da interprete ao chef Maricélia e a proporcionou a conhecer alguns sabores da culinária francesa. “Eu nunca tinha imaginado sair do Brasil para conhecer uma gastronomia que eu já estava estudando. Foi um sonho, tudo muito mágico”, finaliza
E agora, Uberaba/MG tem um novo espaço gastronômico, a Vovó Mari, com a Comida Caseira, que traz um tempero que abraça o coração.
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