Cristo Salvador em Sertãozinho/SP inovou a maneira de trabalhar do artista plástico Markus Moura
"Foi o primeiro trabalho que criamos de maneira mais pessoal, para não ficar igual ao Cristo Redentor", comenta Markus Moura, artista plástico que construiu o Cristo Salvador em Sertãozinho/SP.
O escultor brasileiro, Markus Moura, foi o responsável pela construção do Cristo Salvador em Sertãozinho, uma escultura de 18 m², feita de aço e concreto armado, que pesa 40 toneladas e foi içada por um guincho, numa base que no total fica a 58 metros de altura e tem um mirante que dá para ver a cidade em 360 graus.
Para a visitação existe um elevador e escadas que levam os turistas ao ponto alto do atrativo turístico.
Para descobrir um pouquinho do Cristo Salvador, a jornalista Adriana Fagundes entrou em contato com o artista plástico e fez uma história mostrando os bastidores da construção.
Veja a seguir a entrevista completa aqui
Adriana Fagundes – Rota do Turismo: Markus Moura, explica, como o Cristo Salvador é considerado o maior do mundo até esse momento, ultrapassando inclusive o Cristo Redentor do Rio de Janeiro?
Markus Moura: Então, Olá. Bom dia. Bom dia a todos. Satisfação estar conversando com vocês aqui. Então, Adriana, o pessoal conta com a base. Se for só a construção da estátua, o monumento da estátua tem dezoito metros e do Rio de Janeiro tem trinta metros. Só que eles falam trinta e oito porque eles contam com a base. E, recentemente, eu inaugurei o Cristo encantado no Rio Grande do Sul que na atualidade é o maior do mundo, porque ele tem trinta e sete metros e meio só de estátua. Mais seis de pedestal. Aí eles falam que o da Polônia tem cinquenta e dois, mas, de Cristo é trinta e três. Porém, o resto é base. Então, se for contar com a base, o de Sertãozinho é o maior do mundo. Com quarenta de base. Mais dezoito de Cristo, o que totaliza Cinquenta e oito metros. Entendeu? Então, se for considerar a base Sertãozinho, por enquanto, é o maior do mundo.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E por que nós estamos perdendo o posto? Parece que tem uma outra sendo construída que vai ter setenta metros. É isso?
Markus Moura: É. Eu estou fazendo um Cristo em Alagoas de sessenta metros de Cristo e mais dez de base.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Por que brasileiro tem esse desejo de ser o maior do mundo e construir sempre algo bem maior. Markus, qual sua explicação?
Markus Moura: A minha explicação é assim. As pessoas querem impactar as pessoas e querem que o seu lugar esteja em evidência. Temos como referência o Cristo Redentor, que é uma das sete maravilhas do mundo, que inclusive estou fazendo uma réplica de quinze metros. E os outros querem que sua cidade ficar conhecida na mídia.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Você é um artesão. Você seguiu os passos do seu pai na história. E na trajetória de vida de vocês. Quantos Cristos e quantas imagens você já construiu pelo Brasil ou pelo exterior?
Markus Moura: Olha. Não, eu estou com os contatos. Depois do Cristo do Protetor no Rio Grande do Sul, muita gente de fora está me procurando, mas ainda só conversa, né? Porque não é assim, simplesmente fazer um Cristo ou uma estátua. Tem toda uma burocracia, órgãos do Meio Ambiente, inclusive aí em Sertãozinho, tivemos um atraso por causa de uma árvore. Então, assim. Eu não sei te falar quantos foram, mas, foram muitos desde os meus treze anos de idade.
Eu sempre construí. Trabalhei com esculturas com meu pai. E eu posso te falar, as maiores na atualidade. Inclusive, tem um Buda gigante que é o segundo maior do mundo, que fica em Ibirassu, no mosteiro. Hoje eu estou fazendo também o São Miguel Arcanjo, que vai ter setenta e dois metros, em São Miguel.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E Marcos. O que te levou a entrar nesse ramo do turismo religioso. Como começou sua trajetória e a do seu pai? Porque já que vem de geração para geração, é isso? Como começou a história de vocês?
Markus Moura: Então meu pai, há muitos anos, começou na madeira, fazendo esculturas em madeira, no Ceará. Nós somos de Fortaleza e começou lá. E depois, um empresário levou meu pai para Londrina no Paraná. Depois de Londrina, ele trabalhando com madeira, fomos para Itajaí, Santa Catarina e lá um cliente quis uma girafa de cimento. E aí não parou mais. Começou assim, fazendo, até o Luciano Hang, da Havan contratar ele para fazer a primeira Estátua da Liberdade que fica em Brusque. E aí ele não parou mais de fazer obras grandes.
Meu pai sempre quis que os filhos estudassem e dizia “Meus filhos têm que estudar, ter diploma”. Eu até cursei faculdade de Educação Física, mas, a arte falou mais alto e fui para Eloy Mendes, uma cidadezinha no interior do sul de Minas, fazer o que foi o primeiro Cristo a ultrapassar o Cristo Redentor, com trinta e um metros de estátua. E depois disso que eu inventei, fui parar aí em Sertãozinho/SP.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Então, na sua história, o Cristo de Sertãozinho é o seu segundo projeto. É isso.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E com isso você tem um carinho especial com o Cristo Salvador?
Markus Moura: Sim, tenho um carinho especial. Nossa, tenho um carinho muito especial. E foi muito bom. A cidade de Sertãozinho é muito gostosa.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E qual o diferencial do nosso Cristo? E por que Cristo Salvador? Quem escolheu o nome foi você ou a nossa religião. Como que funciona?
Markus Moura: Foi a Religião. Era para ser um Cristo diferente do convencional, que é com os braços muito retos. Uma roupa meio estilizada. Então era para ser diferente. Era para ter mais volume. É para ter mais detalhe na barba. Os braços um pouquinho arqueados uma mão um pouquinho assim... abençoando assim, pedindo benção aos céus.
Então esse foi o primeiro Cristo que a gente começou a criar de maneira mais pessoal e não ficar igual ao Cristo Redentor, que era a nossa referência. Então, em Sertãozinho foi o primeiro a mudar a veste e o formato de fazer.
Cristo Salvador foto MARCO AURÉLIO ESPARZ
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Que legal. E qual a dimensão do nosso Cristo? Por exemplo, de braço para braço. Como que funciona? Tem mais algum detalhe técnico que seria importante nós termos na nossa história?
Markus Moura: Na verdade, os braços do Cristo são proporcionais ao tamanho da estátua. Você de braço aberto, tem um pouquinho mais do que o seu tamanho. Por exemplo, tem dezoito metros o Cristo de Sertãozinho, de braços abertos para ficar na proporção, são dezoito metros e meio.
Essa é a proporção e o diferencial, como citei anteriormente, foi que comecei a criar os detalhes, um rosto diferente. O formato do manto é diferente. Foi criação nossa. Não foi uma cópia. Então esse é o principal diferencial. Particularmente, é o primeiro Cristo que eu mudei, que eu quis criar, sem ser a cópia do Cristo Redentor.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Ou seja, a inovação de Markus Moura começou aqui, em Sertãozinho.
Markus Moura: Isso. Com certeza.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E qual o peso? Quanto pesa o Cristo Salvador? Mais ou menos quantas toneladas? Porque eu lembro que houve um içamento estratégico para vocês tirarem o Cristo do chão até a base. Não foi fácil. Ou foi?
Markus Moura: Olha só. O Cristo pesou aproximadamente quarenta toneladas. Foi preciso um guindaste de quinhentos toneladas. Foi uma mega operação, porque não existe maior base. De Cristo ou de estátua no Brasil. Então o pessoal ousou mesmo. E o pessoal da Engenharia aí está de parabéns. Criou uma torre gigantesca.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Markus. Existe algum cuidado que a gente tem que ter com essas estruturas que vocês fazem.
Markus Moura: Sim. O Cristo é feito com uma estrutura metálica interna. E foi feito um tratamento especial em Sertãozinho, porque ficou muito tempo parado. Por isso, sofreu um tratamento, um reforço. Tudo por dentro.
Só que externamente, ele é pintado com uma tinta emborrachada. Só que não existe tinta que dura mais de dois ou três anos, não existe. Até por que não é viável para eles. Então, assim como o Cristo está, num lugar muito no alto, pega poeira. Pega fuligem, inclusive da pista e do ar mesmo. Então vai criando ali um musgo. Vai ficando preto.
Então tem que lavar, de cinco em cinco anos. E, é bom passar por uma lavagem. E aí, claro, uma pintura nova, né. Então, o Cristo Salvador vai precisar desses cuidados.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Tá. Mas, a gente tem o Cristo para o resto da vida?
Markus Moura: O cimento. Quanto mais velho, quanto mais o tempo vai passando, mais forte ele fica. Fica muitos anos. Digo até, Milhares de anos, né?
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: E depois que fez o Cristo Salvador, após a nossa inauguração, você voltou em Sertãozinho para visitar o nosso turismo?
Markus Moura: Eu não voltei. Só de passagem mesmo, para ir para Barretos onde fiz algumas obras. Daí eu passo por aí. Mas, não sei como é que está lá. Como ficou o entorno, pois antes ali era só mata. Não sei como é que está.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Está bonito. Então volte para nos visitar. Markus, tem algum recado que você gostaria de deixar para a população e para outros municípios? Vamos abrir um espaço para você. Quem quiser construir uma estátua, basta procurar Markus Moura?
Markus Moura: Estou nas redes sociais. E só quero agradecer a confiança do pessoal da prefeitura e às pessoas que confiaram no nosso trabalho. E quero falar para o pessoal que é esse trabalho que a gente faz. Não é apenas cimento ou concreto no ferro.
A gente está mexendo com a fé das pessoas. Você não vai adorar o cimento. Você vai adorar aquilo que ela representa. É como se fosse uma fotografia de um ente querido que você vai olhar, vai sentir saudades e vai ter pensamentos bons.
O que a gente sabe de Jesus Cristo? Um homem com um rosto sereno, cabeludo, barbudo. Então, é como se fosse uma figura que você vai lembrar. Aquilo que representa e que possa trazer bênçãos e bondade para todo mundo, para todo o Brasil, para todo morador de Sertãozinho e de toda região.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Bom para finalizar, sempre digo que turismo gera emprego e renda. E o artesanato também. Você é um artista plástico. Isso gera emprego e renda, não só para você, mas para outras pessoas também?
Markus Moura: Com certeza isso fomenta o turismo religioso!
Ainda mais em alta, depois da pandemia, as pessoas se apegaram a fé. Então isso só traz benefícios para o entorno. Aí cabe a cidade se adaptar em como receber os turistas, fazer trabalhos para que os turistas possam visitar e isso envolve muita gente. O nosso trabalho mesmo emprega pedreiros, serventes. E todo mundo vira artista. E isso gera emprego e o turismo está em alta. Dá para fazer um trabalho bacana aí no Cristo.
Adriana Fagundes - Rota do Turismo: Markus, muito obrigada pelo seu tempo, por sua dedicação e por ter nos trazido esse esclarecimento. Todo mundo tem muita curiosidade: Como que foi feito o Cristo e agora você nos trouxe um pouquinho da nossa história. Muito obrigada.
Markus Moura: Eu que agradeço, Adriana. Até uma próxima, um abraço.
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