Cidades esponjas e Responsabilidade Ambiental é desafio já
“Representantes do Agro no Congresso Nacional não estão a altura do agronegócio brasileiro. O aquecimento global gera eventos extremos mais intensos e frequentes e já estamos perto de estourar o limite de 1,5 grau de aumento preconizado pelo Acordo de Paris”, é o alerta da urbanista e coordenadora de políticas públicas no Observatório do Clima Suely Araújo
Suely Araújo, urbanista, advogada e doutora em ciência pública, foi a convidada do Fala Mulher para falar sobre a crise climática e as políticas ambientais no Brasil, pois foi consultora Legislativa da Câmara dos Deputados por 29 anos, nas áreas de meio ambiente e urbanismo, além de ser professora em mestrado e doutorado no curso de Administração pública do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Também presidiu o Ibama de 2016 a 2018 e desde março de 2020 atua como coordenadora de políticas públicas no Observatório do Clima.
Uma das preocupações atuais de Suely tem sido as pautas no Congresso Nacional, que segundo ela “tem fracionado proposições ambientais em vez de aprovar pacotes completos, criando obstáculos para a proteção do meio ambiente e do clima”.
E também destacou que a queima de combustíveis fósseis é a principal fonte de emissões globais, enquanto no Brasil o desmatamento é o principal vilão. Suely criticou a política do governo Lula de aumentar a produção de petróleo sem uma estratégia de descarbonização clara e enfatizou a importância da adaptação às mudanças climáticas, recomendando que cidades se tornem "cidades esponjas" através de pavimentos permeáveis, parques alagáveis e recuperação de vegetação natural para melhorar a resiliência diante de eventos extremos como chuvas intensas.
“O Brasil tem conhecimento e potencial para liderar na transição energética renovável, mas precisa de governantes mais responsáveis e da população cobrando medidas imediatas para enfrentar a crise climática”, concluiu Suely Araújo.
Desafios Ambientais e Desmatamento Brasileiro
Suely destacou que o mundo está enfrentando temperaturas médias inadequadas e eventos climáticos extremos devido ao aquecimento global, com o Brasil sendo particularmente afetado pelo desmatamento. “Controlar em zero o desmatamento deve ser a prioridade número um no Brasil para combater as emissões que contribuem para o aquecimento global”, justifica Suely.
Sim... O mundo não tem mais tempo para promessas. A hora de soluções é já.
Transição para Energias Renováveis
Suely explicou que a queima de combustíveis fósseis, como gasolina e diesel, é um problema ambiental que precisa ser combatido. E destacou que o Brasil tem potencial para liderar na transição para energias renováveis, sendo pioneiro no uso de etanol e biomassa.
Fonte: Instituto Estadual de Meio Ambiente - IEMA
Nesse momento Suely mencionou que o Presidente Lula havia solicitado um mapa do caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis, “mas, esse documento ainda não foi apresentado devido à pressão política de determinados setores e divergências no governo. Petrobrás precisa SE TORNAR UMA EMPRESA DE ENERGIA E NÃO SÓ PETROLEIRA”
Desafios Ambientais no Congresso Brasileiro
Nesse momento a jornalista Adriana Fagundes mencionou avaliou a necessidade de ação urgente dos deputados e senadores para proteger o planeta, alertando que o mundo está em perigo.
Suely concordou e explicou como o Congresso brasileiro utiliza de jogos políticos frequentes ao adicionar emendas não relacionadas aos projetos originais (chamadas de "jabutis"), que podem prejudicar projetos ambientais positivos.
Suely descreveu como essas estratégias de fragmentação de projetos estão se tornando mais comuns, dificultando o acompanhamento tanto para parlamentares quanto para a sociedade civil.
Exemplo de fragmentações
Estratégia Energética do Brasil
Suely e Adriana discutiram a estratégia energética do Brasil, destacando que o país é um grande produtor de petróleo, mas a riqueza gerada não tem sido utilizada para justiça social ou transição energética.
E questionaram a viabilidade de aumentar a produção de petróleo em plena crise climática, quando mais de 70% do aquecimento global vem da queima de combustíveis fósseis.
Nesse momento Suely sugeriu que a Petrobras deve diversificar seus investimentos para incluir biocombustíveis e outros setores energéticos, enquanto Adriana enfatizou a necessidade de aproveitar as fontes energéticas renováveis disponíveis no Brasil, como energia verde, solar e eólica.
Resultados e Resiliência da COP30
Suely destacou um documento sobre indicadores de adaptação ao clima e explicou que, “além da mitigação, é necessário focar na resiliência, especialmente através de cidades esponjas que permitem melhor infiltração de água e reduzem inundações, com soluções baseadas na natureza como pavimentos permeáveis, parques alagáveis e recuperação de matas ciliares para aumentar a resiliência das áreas urbanas e rurais”.
Referente a crise climática e adaptações sustentáveis, Suely enfatizou a importância de planejamento urbano sustentável, incluindo a criação de jardins de chuva e áreas verdes para reduzir o risco de inundações. E criticou o recente retrocesso na legislação de licenciamento ambiental no Congresso e destacou a necessidade de maior responsabilidade dos governantes em relação às políticas climáticas.
A conversa também abordou como o turismo pode ser um canal para geração de emprego e renda, mas, que está atualmente limitado devido às condições climáticas.
Eventos Climáticos Extremos
Adriana Fagundes – Rota do Turismo: Por que os biocombustíveis da cana-de-açúcar não recebem os mesmos benefícios que os combustíveis poluentes?
Suely: A pressão política de grupos econômicos ligados a combustíveis fósseis é gigante. O Brasil tem privilégios na área de energia comparativamente a outros países, dependendo menos de energia gerada por fósseis. Somos pioneiros no uso de etanol e biocombustíveis. O Brasil tem potencial para liderar mundialmente uma transição para longe dos combustíveis fósseis, mas falta o mapa do caminho prometido pelo governo.
Adriana Fagundes: Como gestores públicos podem atuar imediatamente, já que não há tempo para planejamento de longo prazo?
Suely: Tem que planejar já começando a fazer. Não são soluções tecnicamente complexas. É necessário destinar recursos para adaptação e usar no local certo. O governo de Minas Gerais reduziu significativamente recursos para enfrentamento de inundações nos últimos três anos, o que é inaceitável. Se não há recursos para parques enormes, podem fazer jardins de chuva - pequenas áreas verdes espalhadas pela cidade. Todo município tem condições financeiras para isso.
Veja a entrevista completa no vídeo abaixo.
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