O cavalo virou turismo, entretenimento e economia no interior de São Paulo
A gastronomia também faz parte da rotina do público durante a 71ª Festa do Peão de Barretos.
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Barretos é a demonstração mais visível dessa transformação. A Festa do Peão, que realiza sua 71ª edição entre 20 e 30 de agosto de 2026, deixou há muito tempo de movimentar apenas as arquibancadas. Em 2025, foram 990 mil visitas durante os 11 dias de programação e R$ 600 milhões em movimentação financeira direta, segundo levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo. Cerca de 81% do público era formado por turistas e excursionistas. O dinheiro circula por uma cadeia muito maior. Hospedagem, restaurantes, transporte, comércio, entretenimento e aluguel por temporada acompanham o movimento. Em média, cada visitante gastou R$ 605,60 por dia e permaneceu aproximadamente cinco dias na região. A hospedagem teve 95,5% de aprovação entre os entrevistados e a alimentação, 94,6%. Mas talvez o dado mais interessante esteja menos na dimensão econômica e mais no comportamento do público. A idade média dos visitantes da edição de 2025 foi de 36 anos, com presença de homens e mulheres, ensino superior completo e renda familiar média de R$ 14 mil. O Rancho do Peãozinho, voltado ao público infantil, recebeu 70 mil visitas. São sinais de que a cultura ligada ao cavalo não está restrita ao competidor, ao criador ou ao trabalhador do campo. Ela também se transforma em entretenimento, convivência e experiência familiar. Essa mudança ajuda a explicar por que o universo equestre pode encontrar espaço muito além dos grandes eventos. Enquanto Barretos concentra centenas de milhares de pessoas durante alguns dias, haras, propriedades rurais e destinos próximos aos centros urbanos podem oferecer uma porta de entrada menor e mais frequente para esse mesmo universo. Passeios conduzidos, primeiro contato com os animais, experiências de iniciação e atividades em meio à natureza permitem que alguém participe sem precisar saber montar, possuir equipamentos ou conhecer previamente os códigos do meio equestre. É justamente esse movimento que o Haras Luminar, em Mairiporã, observa na Grande São Paulo. "O público não chega necessariamente porque quer se tornar cavaleiro. Muitas vezes chega porque quer viver algo diferente com os filhos, sair da rotina ou passar algumas horas em contato com a natureza. O cavalo acaba sendo o elemento que cria essa conexão", explica Danielle Bispo, sócia do Haras Luminar. A tendência conversa com uma mudança mais ampla na forma de consumir lazer. Em vez de reservar experiências apenas para grandes férias ou datas específicas, parte do público procura atividades que caibam em um sábado, domingo ou fim de semana curto. Nesse cenário, a tradição rural ganha uma nova função. Ela continua sendo patrimônio cultural e econômico do interior, mas também passa a ser produto turístico. Barretos mostra o tamanho que essa economia pode alcançar. Experiências equestres menores mostram outra possibilidade: transformar a curiosidade pelo cavalo em lazer recorrente e aproximar uma cultura historicamente ligada ao campo de quem cresceu longe dele. O resultado é uma expansão de público. E, quando mais pessoas passam a circular por esses espaços, o impacto também ultrapassa a porteira, alcançando restaurantes, hospedagens, comércio e outros serviços das cidades do interior. Fonte: Sofia Travain fotos: Os Independentes |
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