Poderi Morini chega ao Brasil com castas raras da Romagna e rótulos criados por artistas italianos

Vinícola familiar de Faenza estreia no país com vinhos elaborados a partir de Sangiovese, Albana, Centesimino e Longanesi e aposta na preservação de variedades autóctones para apresentar uma face menos conhecida da Itália vitivinícola

Set 29, 2026 - 06:56
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Poderi Morini chega ao Brasil com castas raras da Romagna e rótulos criados por artistas italianos
Gstronomia recheada de arte

Uma Itália do vinho ainda pouco conhecida pelo consumidor brasileiro está chegando ao país. A Poderi Morini, vinícola familiar de Faenza, fundada e liderada por Alessandro Morini, na região da Emília-Romagna, inicia em setembro sua apresentação oficial ao mercado brasileiro. Uma vinícola que transformou a preservação das uvas nativas da Romagna em parte central de sua identidade chega ao mercado brasileiro. Natural da Emília-Romagna, a Poderi Morini estreia no país com um portfólio que reúne desde variedades emblemáticas da região, como Sangiovese e Albana, até castas ainda pouco conhecidas fora da Itália, como Centesimino e Longanesi. A proposta se estende também à apresentação das garrafas: desde os primeiros anos da vinícola, artistas italianos são convidados a interpretar os vinhos e criar seus rótulos. O movimento é liderado pelo brasileiro Fabricio Morini. 

Fundada em 1998 por Alessandro e Daniela Morini, a Poderi Morini nasceu quando o produtor decidiu dedicar-se à arte da vinificação com o apoio de seu pai, Natale Morini, e de sua esposa, Daniela. Desde os primeiros anos, o desafio da família foi preservar, valorizar e promover as variedades nativas da Romagna, transformando a identidade do território em vinhos que expressam a história e a cultura da região. A vinícola chega ao mercado nacional com um portfólio construído a partir de variedades tradicionais e autóctones da Romagna. Ao lado do Sangiovese e da Albana aparecem uvas menos difundidas internacionalmente, como Centesimino e Longanesi, cultivadas nas colinas da região e transformadas em alguns dos rótulos que definem a identidade da vinícola.

A entrada no segmento de vinhos amplia uma trajetória empresarial marcada pela atuação em diferentes mercados. Morini está à frente da operação brasileira da Moto Morini, fabricante italiana de motocicletas com montagem no país, e desenvolveu também negócios ligados à indústria química, especialmente nos segmentos de lubrificantes e soluções industriais. É ainda autor do livro “Faça Seu Negócio Decolar”, que alcançou a condição de best-seller no Brasil.

Mais do que acrescentar um novo negócio ao portfólio, porém, ele diz enxergar a chegada da Poderi Morini como um projeto de construção de marca e de introdução de uma nova origem ao mercado brasileiro.

“O brasileiro conhece e admira o vinho italiano, mas a Itália vitivinícola é muito maior do que as regiões que já conquistaram espaço por aqui. A Romagna tem uvas, produtores, gastronomia, arte e uma identidade muito própria. Nosso desafio é apresentar esse universo ao consumidor brasileiro e construir a Poderi Morini no país com consistência e no longo prazo”, afirma Fabrício Morini.

Os rótulos da Poderi Morini poderão chegar ao Brasil com valores entre 200 a 600 reais. 

Uma vinícola que coloca arte também na garrafa

Na Poderi Morini, a conexão com a cultura da Romagna não termina no vinho. Os rótulos são concebidos como obras de arte e desenvolvidos em colaboração com artistas, tradição adotada desde a fundação da vinícola, em 1998.

A proposta vai além de encomendar uma ilustração. Os artistas são convidados a conhecer e degustar os vinhos para, a partir dessa experiência, criar uma interpretação visual própria para cada garrafa.

Entre os nomes que já assinaram trabalhos para a Poderi Morini está Pablo Echaurren, artista multidisciplinar conhecido por transitar entre pintura, cerâmica, ilustração, quadrinhos e literatura e que foi o primeiro a criar rótulos para a vinícola.

Outro colaborador é Giuliano Della Casa, artista e aquarelista de Modena, também ligado à cerâmica e à produção de livros de arte, com exposições realizadas na Itália e em cidades como Madri, Tóquio, São Paulo, Düsseldorf, Colônia, Nova York e Los Angeles.

Completa esse núcleo Gian Franco Morini, ceramista de Faenza reconhecido por trabalhos de forte materialidade, nos quais a própria terra e suas imperfeições integram a linguagem artística.

A escolha ajuda a sintetizar o posicionamento da vinícola: apresentar uma Romagna que não se resume à costa e aos tradicionais destinos turísticos italianos, mas que preserva uma identidade formada também por agricultura, viticultura, história e produção artística.

“Os rótulos ajudam a contar exatamente a história que queremos apresentar no Brasil. Não é apenas sobre o que está dentro da garrafa. Existe uma cultura por trás de cada vinho, e a arte é uma das formas mais claras de expressá-la”, diz Fabricio Morini

Da Albana ao Centesimino

Entre os vinhos escolhidos para apresentar essa diversidade está o Sette Note, elaborado com Albana, variedade branca histórica da Romagna, nas colinas de Faenza e o primeiro vinho branco da Itália a receber a classificação DOCG.

No universo dos tintos, a Poderi Morini trabalha diferentes expressões do Sangiovese, entre elas o Torre di Oriolo e o Nonno Rico, além de variedades menos conhecidas fora da região.

É o caso da Centesimino, uva autóctone cultivada nas colinas de Oriolo di Faenza. A variedade aparece no Savignone, tinto intensamente aromático, e também no Morosè, espumante brut que mostra outra interpretação possível para a mesma casta.

Já a Longanesi, outra variedade associada à identidade vitivinícola da Romagna, integra o trabalho de recuperação e valorização de uvas locais desenvolvido pela vinícola.

Para Fabrício Morini, justamente essa combinação entre produtos conhecidos e descobertas menos óbvias pode abrir espaço para a marca no Brasil.

“Não queremos simplesmente colocar mais um vinho italiano na prateleira. Há uma oportunidade de apresentar novas uvas, novas histórias e um território. É isso que torna esse projeto interessante”, afirma.

Estreia passa por quatro capitais

A primeira grande apresentação da Poderi Morini no Brasil aconteceu durante o I Love Italian Wines 2026, roadshow promovido pela Agência ICE em colaboração com Vinitaly e Wine South America.

A vinícola participou das quatro etapas da programação: Brasília, em 11 de setembro, na Embaixada da Itália; Rio de Janeiro, em 14 de setembro, no Sheraton Grand Rio; São Paulo, em 16 de setembro, no JK Iguatemi; e Curitiba, em 18 de setembro, no Castelo do Batel.

O circuito reuniu compradores, sommeliers, jornalistas, influenciadores e profissionais ligados ao mercado de vinhos, criando também a primeira oportunidade de degustação dos rótulos da Poderi Morini no país.

Para Fabrício Morini, a passagem pelas quatro cidades marca o início de um processo que deve ir além do lançamento.

“O vinho depende de experiência. Queremos que as pessoas provem os rótulos, mas principalmente compreendam de onde eles vêm e o que existe por trás deles. Estamos começando agora uma construção de mercado e de relacionamento que queremos desenvolver por muitos anos”, afirma.

Sobre a Poderi Morini

Fundada em 1998 por Alessandro Morini, a Poderi Morini é uma vinícola familiar localizada em Faenza, na Emília-Romagna, Itália. A empresa trabalha com variedades tradicionais e autóctones da região, entre elas Sangiovese, Albana, Centesimino e Longanesi. Sua filosofia está baseada na valorização da Romagna por meio do vinho, da preservação de variedades locais e da relação com a produção artística. Desde sua fundação, a vinícola mantém parcerias com artistas para a criação de rótulos exclusivos, transformando cada garrafa em uma expressão também visual de seu território.

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