TURISMO REGIONAL BRASILEIRO: UMA PAUTA ESTRATÉGICA QUE FICOU FORA DO DEBATE ELEITORAL
Rota do Turismo enviou convites oficiais aos candidatos à Presidência da República no período de 08 a 17/10 após o primeiro turno, divulgou a iniciativa nas redes sociais e não recebeu retorno das assessorias responsáveis pelas agendas. Enquanto isso, dados oficiais mostram a força econômica do turismo e os desafios para tornar os destinos brasileiros mais seguros, acessíveis e sustentáveis.
O turismo regional brasileiro precisa ocupar um espaço estratégico nas discussões sobre o futuro do país. Com potencial para gerar emprego, renda, oportunidades de negócios e valorização cultural, o setor envolve muito mais do que lazer e viagens: representa uma possibilidade concreta de desenvolvimento econômico e social para milhares de municípios, no no interior brasileiro.
Apesar dessa importância, questões fundamentais para o desenvolvimento do turismo regional ainda precisam conquistar maior protagonismo no debate eleitoral, como segurança pública, mobilidade, acessibilidade, transporte, saúde, educação, preservação ambiental, mudanças climáticas e respeito aos turistas com 60 anos ou mais.
Foi diante dessa preocupação que a WebTV Rota do Turismo tomou a iniciativa de convidar oficialmente os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, para entrevistas dedicadas às políticas públicas para o setor.

Segundo a direção da Rota do Turismo, os ofícios foram enviados na semana após à eleição do primeiro turno, por meio dos canais oficiais, e encaminhados às assessorias políticas responsáveis pelas agendas dos candidatos. A iniciativa também foi divulgada nas redes sociais, entre elas: Instagram e LinkedIn.
Apesar das tentativas de estabelecer esse diálogo, não houve retorno das assessorias responsáveis pelas agendas, e as entrevistas propostas não avançaram.
A iniciativa não teve como objetivo promover candidaturas, mas oferecer um espaço jornalístico para que os candidatos apresentassem suas propostas e respondessem a questões relevantes para os profissionais do turismo, aos empreendedores, gestores públicos e a população.
A pergunta que permanece é: qual é o lugar do turismo regional nos projetos de desenvolvimento do Brasil?
Turismo movimenta a economia e gera milhões de empregos
Os números oficiais ajudam a dimensionar a relevância econômica do setor.
De acordo com o relatório de gestão do Ministério do Turismo, com dados da RAIS e do CAGED, o Brasil encerrou 2025 com aproximadamente 2,39 milhões de vínculos formais de trabalho nas atividades características do turismo, o equivalente a 4,9% das ocupações formais do país. O resultado representou crescimento de 3,5% em relação ao estoque de empregos registrado no final de 2024.
Esse indicador considera atividades como alimentação, hospedagem, transporte, agências de viagens, cultura e lazer. É importante observar que esses dados contabilizam vínculos formais nas atividades características do turismo, e não todas as pessoas que trabalham direta ou indiretamente na cadeia turística.
O desempenho demonstra a capacidade do setor de movimentar diferentes segmentos da economia, beneficiando desde grandes empreendimentos até pequenos negócios familiares.
Restaurantes, hotéis, bares, guias de turismo, artesãos, produtores rurais, transportadores, artistas e comerciantes fazem parte dessa cadeia produtiva. Quando um visitante chega a uma cidade, seus gastos podem circular por diferentes atividades, criando oportunidades de trabalho e renda para a população.
O turismo regional tem uma importância particular nesse cenário: permite distribuir os benefícios econômicos para além dos destinos tradicionalmente consolidados, valorizando cidades do interior, comunidades rurais, patrimônios históricos e manifestações culturais locais.
Por isso, o planejamento turístico precisa contemplar também os municípios que ainda não dispõem de estrutura adequada para receber visitantes, mas, que possuem recursos naturais, culturais e históricos capazes de integrar novos roteiros.
Turismo internacional: receita que entra no Brasil
Os resultados também aparecem na entrada de recursos internacionais.
Segundo os indicadores divulgados pela Embratur, o Brasil recebeu aproximadamente 9,29 milhões de turistas internacionais em 2025, enquanto as receitas provenientes desses visitantes alcançaram cerca de US$ 7,86 bilhões, crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior.
Os números demonstram a capacidade do turismo de atrair divisas, fortalecer a imagem internacional do país e ampliar as oportunidades para empresas e trabalhadores.
Entretanto, o desenvolvimento turístico brasileiro não deve depender apenas da chegada de estrangeiros aos destinos mais conhecidos. É fundamental fortalecer o turismo doméstico e regional, estimulando os próprios brasileiros a conhecerem as diferentes regiões do país e mesmo próximo da sua cidade.
Para isso, são necessários investimentos em infraestrutura, conectividade entre destinos, qualificação profissional, promoção integrada e políticas públicas que permitam aos municípios transformar seus atrativos em experiências organizadas e economicamente sustentáveis.

O Brasil possui uma diversidade cultural e natural que pode favorecer essa estratégia. O desafio está em criar condições para que essa riqueza se converta em oportunidades reais para as comunidades.

Segurança pública: viajar precisa significar tranquilidade
A segurança pública é uma das condições fundamentais para o desenvolvimento turístico.
O visitante precisa encontrar ambientes seguros nos deslocamentos, nas estradas, nos espaços públicos, nos atrativos e nos estabelecimentos comerciais, com informações confiáveis, sinalização adequada e orientações seguras em casos de emergências climáticas.
A segurança turística exige planejamento, iluminação pública, prevenção, integração entre órgãos públicos e empreendedores, transporte confiável e protocolos para situações de risco.
Além da proteção contra ocorrências criminosas, é necessário considerar acidentes, eventos climáticos extremos e outras situações que possam comprometer a saúde e integridade dos visitantes.
Uma experiência negativa pode afetar a reputação de um destino e desestimular novas viagens. Por outro lado, ambientes preparados e acolhedores contribuem para aumentar a confiança, favorecer a permanência dos turistas e estimular o retorno.
A segurança, portanto, precisa integrar qualquer estratégia nacional de desenvolvimento turístico.
Mobilização regional: municípios unidos podem ir mais longe
O turismo regional exige articulação entre municípios, governos, entidades representativas, conselhos municipais de turismo, Associações, Instâncias de Governança Regional e empreendedores.
Quando as cidades trabalham de forma integrada, podem construir roteiros complementares, compartilhar estratégias de promoção e ampliar o tempo de permanência dos visitantes.
Uma cidade pode oferecer patrimônio histórico; outra, gastronomia; uma terceira, turismo rural, natureza ou experiências culturais. A integração desses atrativos fortalece a identidade regional e amplia as possibilidades de negócios.
Essa articulação também contribui para que municípios menores tenham acesso a estratégias de divulgação, capacitação e planejamento que dificilmente conseguiriam desenvolver isoladamente.
É necessário, portanto, reconhecer as governanças regionais como instrumentos importantes para organizar prioridades, promover parcerias e transformar o turismo em uma política de desenvolvimento territorial.
Acessibilidade e transporte: o turismo precisa ser para todos
Não basta possuir atrativos turísticos. É preciso garantir condições para que as pessoas consigam chegar até eles, circular com segurança e aproveitar as experiências oferecidas.
Estradas em boas condições, transporte adequado, sinalização, calçadas acessíveis e informações claras são elementos essenciais para a competitividade dos destinos.
A acessibilidade também precisa ser considerada desde o planejamento dos espaços e serviços turísticos.
Rampas, sanitários acessíveis, sinalização tátil, recursos de comunicação acessível, informações em formatos alternativos e profissionais capacitados são medidas que contribuem para ampliar a participação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
A inclusão não deve ser tratada como uma adaptação secundária, mas como parte integrante da infraestrutura turística.
Um destino preparado para receber pessoas com diferentes necessidades oferece melhores condições de circulação, segurança e autonomia para todos.
O Brasil está envelhecendo: as cidades e o turismo precisam acompanhar essa transformação
O envelhecimento da população brasileira é um dos dados demográficos mais importantes para o planejamento das próximas décadas.
O Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 15,8% da população naquele levantamento. Em comparação com 2010, esse contingente cresceu 56%.
Esse cenário exige atenção especial do setor turístico.
Os turistas com 60 anos ou mais possuem diferentes perfis, interesses, condições de saúde e níveis de autonomia. Muitos buscam viagens culturais, passeios religiosos, gastronomia, natureza, visitas a familiares e experiências de convivência.
Entretanto, parte das estruturas urbanas e turísticas ainda não acompanha as necessidades de uma população que envelhece.
Calçadas irregulares, escadas sem alternativas acessíveis, ausência de bancos para descanso, iluminação insuficiente, dificuldades de embarque e desembarque, receptivo adequado e falta de informações legíveis podem transformar uma viagem em uma experiência desconfortável ou insegura.
É necessário investir em desenho universal, acessibilidade, transporte adequado, atendimento humanizado, sinalização clara e espaços de descanso.
Também é importante preparar os profissionais do turismo para compreender as necessidades dos visitantes mais velhos, respeitando sua autonomia e evitando atitudes discriminatórias ou paternalistas.
Se o Brasil está envelhecendo, o turismo precisa se preparar para receber todas as gerações. E se muitas estruturas já não atendem adequadamente à população atual, é preciso planejar sua modernização para o futuro.
Preparar os destinos para os turistas 60+ também beneficia pessoas com deficiência, gestantes, famílias com crianças e visitantes que necessitam de melhores condições de mobilidade.
Meio ambiente e mudanças climáticas: proteger os destinos é proteger a economia
O patrimônio natural brasileiro constitui um dos grandes diferenciais competitivos do país. Florestas, rios, parques, praias, paisagens rurais e áreas de conservação atraem visitantes e contribuem para a identidade de inúmeras regiões.
Entretanto, as mudanças climáticas ampliam os desafios para a gestão turística.
Ondas de calor, estiagens, incêndios, enchentes, chuvas intensas e deslizamentos podem comprometer a segurança da população e ainda mais dos visitantes além de interromper atividades econômicas e causar prejuízos às comunidades.

Por isso, o planejamento turístico precisa incorporar medidas de prevenção, adaptação climática, gestão de riscos e proteção ambiental.
Também é necessário incentivar a gestão responsável dos resíduos, a conservação da biodiversidade, o uso eficiente da água e a valorização de iniciativas de turismo sustentável e regenerativo.
Promover um destino sem considerar sua capacidade de preservar os recursos naturais significa colocar em risco o próprio patrimônio que sustenta sua atratividade.
O turismo precisa contribuir para a conservação dos territórios e para a construção de comunidades mais preparadas para enfrentar os desafios ambientais.
Saúde e educação também fazem parte da experiência turística
A qualidade da experiência turística depende de uma rede de serviços que vai muito além dos atrativos.
A articulação com os serviços de saúde, a preparação para emergências e a orientação aos visitantes são fundamentais, especialmente em destinos que recebem pessoas idosas, grupos escolares ou turistas que praticam atividades ao ar livre.
A educação também desempenha papel estratégico.
A formação profissional, a educação patrimonial, a valorização da cultura local e a capacitação dos empreendedores contribuem para melhorar os serviços e fortalecer o sentimento de pertencimento das comunidades.
É importante preparar guias, trabalhadores da hotelaria, profissionais do transporte, comerciantes, gestores públicos e demais agentes que participam da cadeia turística.
Receber bem significa oferecer informação correta, respeito às diferenças, segurança e serviços compatíveis com as necessidades dos visitantes.
Essas condições não são responsabilidades exclusivas do setor privado. Exigem políticas públicas articuladas e planejamento de longo prazo.
Turismo precisa ser política de Estado, não apenas pauta promocional
A ausência de retorno aos convites encaminhados pela Rota do Turismo não permite concluir quais são as prioridades individuais dos candidatos em relação ao setor. Entretanto, a iniciativa reforça a importância de ampliar os espaços de diálogo sobre uma atividade que movimenta a economia e pode contribuir para reduzir desigualdades regionais.
O turismo precisa integrar os projetos de desenvolvimento nacional com metas, indicadores, comunicação, orçamento, infraestrutura e participação efetiva dos municípios e das comunidades.

É necessário discutir como ampliar a conectividade entre destinos, melhorar o transporte, fortalecer a segurança, preparar as cidades para o envelhecimento populacional, garantir acessibilidade, qualificar os profissionais e proteger o patrimônio natural e cultural.
Também é fundamental reconhecer o papel da comunicação na promoção dos destinos e na aproximação entre turistas, empreendedores e gestores públicos.
A divulgação turística não deve se limitar a mostrar paisagens bonitas. Precisa apresentar os profissionais, os serviços, os desafios, as oportunidades e as políticas necessárias para que o turismo aconteça de forma organizada e responsável.
O Brasil precisa transformar seu potencial turístico em resultados concretos para a população.
O turismo regional não pode ser lembrado apenas nas férias, nas campanhas publicitárias ou nos calendários de eventos. Precisa estar presente nas decisões políticas, no planejamento econômico e nas prioridades de investimento do país.
ADRIANA FAGUNDES E A ROTA DO TURISMO: COMUNICAÇÃO A SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL

À frente dessa iniciativa está a jornalista Adriana Fagundes, profissional com mais de 30 anos de atuação na comunicação, presidente da Associação de Comunicação do Turismo Brasileiro (ACTB) e CEO fundadora da Rota do Turismo.
Sua trajetória está ligada à defesa da comunicação como instrumento de valorização dos territórios, fortalecimento dos profissionais e promoção do turismo brasileiro.
Como empreendedora da comunicação, Adriana criou a WebTV Rota do Turismo com a proposta de aproximar turistas, profissionais do setor, empreendedores e gestores públicos, ampliando a visibilidade dos destinos e das iniciativas que contribuem para o desenvolvimento regional.
A plataforma trabalha com a perspectiva de que o turismo não pertence apenas aos grandes centros ou aos destinos tradicionalmente conhecidos. Ele também está nas pequenas cidades, nas tradições populares, na gastronomia, na produção rural, no patrimônio histórico, no artesanato e nas pessoas que constroem diariamente a identidade de seus territórios.
Sua atuação institucional à frente da ACTB também se conecta à valorização dos profissionais de comunicação e turismo e à busca por oportunidades que fortaleçam a cadeia produtiva.

Ao convidar os candidatos à Presidência da República para discutir o setor, Adriana Fagundes levou essa proposta ao debate político nacional, defendendo um espaço de diálogo sobre questões que afetam diretamente a vida dos brasileiros e o futuro dos destinos turísticos.
A iniciativa reafirma o compromisso editorial da Rota do Turismo com a divulgação de informações, a valorização das comunidades e a discussão de políticas públicas capazes de transformar o potencial turístico em desenvolvimento.
Mais do que mostrar lugares, a proposta é conectar territórios, dar voz a quem faz o turismo acontecer e estimular uma visão de futuro na qual segurança, acessibilidade, sustentabilidade, mobilidade e respeito às pessoas sejam prioridades.

A Rota do Turismo defende que o Brasil precisa conhecer, valorizar e integrar seus destinos regionais. E que o turismo, pela sua capacidade de gerar trabalho, renda, inclusão e desenvolvimento, merece ocupar um lugar permanente na agenda nacional.
Porque o turismo não começa quando o visitante chega a um destino. Começa nas escolhas que fazemos para preparar nossas cidades, acolher as pessoas e construir um país melhor para todas as gerações.
ROTA DO TURISMO — Conectando Territórios, Cultura, Acessibilidade e Desenvolvimento Sustentável.
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